Família Brasileira no Centro: Como PT e PL ajustam seus discursos para 2026?
Metade dos eleitores do candidato do PT não acreditam que um candidato contrário aos “valores da família brasileira” deveria se tornar presidente
Metade dos eleitores do candidato do PT não acreditam que um candidato contrário aos “valores da fam
O Brasil mantém uma essência conservadora, um traço que atravessa o espectro político e atinge até mesmo a base de candidatos à esquerda. É o que revela um levantamento feito pelo instituto Alfa Inteligência.
Ao serem questionados se um candidato com “posições consideradas contrárias aos valores da família brasileira” merecia se tornar presidente da República, a rejeição foi esmagadora: 67% das pessoas disseram que “não”. Outros 20% afirmaram que “tanto faz” e apenas 9% acreditam que o candidato merece ser eleito.
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O dado mais revelador do estudo, no entanto, está na base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Contrariando a premissa de que o eleitorado de esquerda é estritamente progressista nos costumes, a pesquisa mostra que 51% dos eleitores lulistas confirmam a tendência conservadora.
Para o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), os números não são uma surpresa, mas o reflexo de uma característica estrutural do país que o partido precisa compreender.
“Existe uma realidade que é o conservadorismo da sociedade brasileira. A sociedade brasileira tem valores chamados conservadores. Portanto, isso se reflete na escolha dos candidatos”, afirmou.
(Crédito: Alfa Inteligência)
Lula precisa do eleitorado conservador
O parlamentar admite que focar apenas na pauta de costumes progressista não garante vitórias eleitorais nacionais.
“O presidente Lula capta um eleitorado mais liberal do ponto de vista de costumes. Ele consegue captar esse eleitorado que rejeita mais os candidatos da direita, porém é um eleitorado pequeno”, reconheceu Zarattini.
Para reter e agradar essa maioria conservadora de sua base, a estratégia do governo não será travar uma guerra ideológica, mas ressignificar a ideia de “defesa da família”, vinculando-a às condições de sobrevivência e políticas públicas.
“Evidentemente nós vamos mostrar que todas essas conquistas do ponto de vista das condições materiais que as famílias têm no Brasil, elas fortalecem o espiritual, vamos dizer assim, que é a unidade familiar”, explicou o deputado, citando a geração de empregos, programas como o Minha Casa, Minha Vida, a construção de creches e o fortalecimento do SUS como as verdadeiras ferramentas do governo para proteger o núcleo familiar.
“Família acima de tudo”
Do outro lado do espectro, a direita enxerga os dados como a validação de seu discurso. Para o senador Wellington Fagundes (PL-MT), líder do bloco Vanguarda no Senado, os números consolidam uma base moral que não pode ser ignorada.
“Essa pesquisa mostra muito claro que a maioria do povo brasileiro sempre valorizou os princípios da família, a família acima de tudo. E isso, claro, precisa ser respeitado por qualquer governante”, destacou o senador.
Apesar de o conservadorismo ser o principal ativo político do partido de Jair Bolsonaro, Fagundes defende uma mudança de estratégia. Para o senador, dobrar a aposta apenas na chamada “guerra cultural” afasta eleitores. O caminho, segundo ele, seria trocar a imposição moral pela entrega de oportunidades.
“Um país, um estado, não se constrói impondo valores, ele se constrói respeitando cada um com a sua individualidade. O papel de quem lidera não é dividir entre quem está certo e quem está errado, mas garantir dignidade e oportunidade. O que legitima o governo é o resultado na vida das pessoas”, argumentou.
De olho em 2026, Fagundes afirma que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) buscará justamente o distanciamento da polarização extrema (“nós contra eles”) que marcou eleições anteriores.
“Ganhar uma eleição é muito difícil, mas governar é muito mais, e você não governa só para quem o elegeu. É isso que eu tenho sentido: o Flávio tem demonstrado que quer unir o país e não dividir o país” concluiu.
